+Guimarães - Janeiro 2015

Para entendermos o projeto/livro Pé Descalço
e o seu autor, Ricardo Frade, temos que voltar atrás no tempo uns bons anos… 

“Mas como é que um consultor financeiro quase vai à falência?!”, perguntava o cliente com ar incrédulo. “A resposta a essa pergunta é outra pergunta: como é que um professor quase falido se transforma em consultor financeiro?”, respondeu o consultor… “porque às vezes as crises trazem as maiores oportunidades!”.

Quando Ricardo e a esposa perceberam, há vários anos, quão grave era a sua situação financeira, estudar finanças foi uma das decisões cruciais que os ajudou a dar a volta e a ultrapassar aquela fase crítica das suas vidas. Pedir ajuda a quem sabia como gerir dinheiro e a quem os podia ajudar nas coisas práticas foram outros dois passos fulcrais, transformando aquele período de sofrimento e dificuldade numa fabulosa oportunidade de aprendizagem… Tanto que Ricardo é consultor financeiro hoje em dia, ajudando os seus clientes a navegar o mar de produtos financeiros disponíveis no mercado e a optimizar as suas vidas pessoais.

Foi no âmbito do seu trabalho que se foi apercebendo, com o agudizar da crise, que muito passavam agora pelas mesmas dificuldades que tivera anteriormente. Nasceu nessa altura a vontade de partilhar o que aprendera com a sua própria situação, de modo a inspirar e ajudar muitos. Este desejo enquadrava-se no que aprendera com os seus mentores de sucesso: a felicidade constrói-se também com a dádiva e a partilha, com a ajuda que podemos dar ao outros, e quem é realmente bem sucedido e feliz partilha sistematicamente o que tem. Escrever um livro parecia o caminho lógico, mas ainda assim havia dúvidas e receios…

“Outro livro de finanças? Isso vai ser uma seca, mais um livro deprimente sobre como temos que cortar, poupar e apertar a nossa vida”, disse alguém, levando Ricardo à busca de algo UAU!, com impacto, para envolver e inspirar o leitor mas também para escrever sobre algo testado e objetivamente comprovado. Foi numa discussão com o pai, sobre quanto dinheiro era necessário para uma viagem, que se fez luz: decidiu colocar-se numa situação extrema, quase sem abrigo, para provar que se pode dar a volta à maioria das situações, mesmo aquelas absolutamente criticas e aparentemente sem solução! Nascia assim o projeto Pé Descalço.

Escolheu um ponto no norte da Suécia que lhe recordava as histórias dos Vikings da sua infância, e partiu no dia 6 de Fevereiro de 2013. Aterrou em Skelle eå já no dia 7, em pleno inverno, com neve com 1 metro de altura e temperaturas médias de -20o C. Sem telefone, sem computador, sem dinheiro e sem cartão de crédito, desconhecendo a língua, a geografia, a moeda ou os costumes locais, sem conhecer quem quer que fosse. Levava roupa de neve, Nestum e leite em pó para dois dias, uma máquina fotográfica e um caderno. O desafio era real: era preciso voltar para casa. Consegue imaginar-se nesta situação? O que faria? Como daria a volta àquele problema, que passos daria?… Ou iria simplesmente desistir?!

Ricardo não desistiu, de todo, e chegou a Portugal em apenas 13 dias. Pelo caminho conheceu muitas pessoas boas e positivas, que o ajudaram a viajar para sul, a comer, a dormir ou simplesmente a encontrar soluções, passo a passo. Pessoas como Vilnis, com quem atravessou a Alemanha de camião, Christina Skytt, que lhe deu guarida na sua casa de 6 assoalhadas nos arredores de Estocolmo, ou a família Martinho, que lhe deu de comer em Paris, mas também muitas outras, anónimas: todas juntas tornaram possível esta viagem, demonstrando que há gente boa em todo o lado!

“Mas como é que conseguiste?!…”, vão perguntando as pessoas que se deparam com a história. “Dormiste na rua? Comeste onde? Mendigaste? Pediste boleia?… COMO?!”, são questões que muitos colocam insistentemente. Foi para esses – e muitos outros – que Ricardo passou a história a livro, escrito no último ano e meio com a preciosa colaboração de Paula Ferreira Lobo, a jovem editora que se apaixonou pelo projeto e decidiu arregaçar mangas e trabalhar com ele.

 

in: +Guimarães – Janeiro 2015 (Nº 21)