Após três semanas… Cheguei!

Pois é, cheguei… há 3 semanas!!
A todos os que acompanham o blog e o projecto agradeço a paciência para 3 semanas de poucas novidades. Então o que aconteceu? Bem, passei 3 semanas a tratar de tudo o que não tratei quando andei em viagem!

Mas vamos à chegada em si!

Após 13 dias de viagem cheguei são e salvo à Mundos de Vida, no Lousado (Famalicão) no dia 19 de Fevereiro.
Tinha à minha espera a minha família (a Sofia e os meninos), os meus pais, o meu irmão, a equipa da Mundos de Vida, jornalistas e o infantário em peso! Foi um momento particularmente comovente: por um lado chegara, são e salvo, depois de mais de 4.000 km's de desafios, mas por outro lado chegava outra pessoas que não a que partira para a Suécia, fruto das aprendizagens, experiências e descobertas que fiz. Mas vamos Às diferenças!

Sou uma pessoa mais despreocupada: agora sei, mais do que nunca e com uma forte experiência a suportá-lo, que cada problema pode ser resolvido, passo a passo, com determinação, alegria, foco na solução (deixando as lamúrias e queixumes de lado) e acreditando intensamente que vamos conseguir dar a volta.

Sou uma pessoa mais feliz: não saber onde vou dormir, não saber o que vou comer ou como vou sair daqui, como vou avançar, todas estas coisas que agora SEI de forma real levam-me a dar muito mais valor a tudo o que já tenho, a tudo o que na minha vida me ajuda a viver melhor, mais confortável e com mais tranquilidade! No fundo é a sensação de simplificação que tanto defendo: se tiver um Bentley ficarei certamente contente, mas também vivo feliz sem carro!

Sou uma pessoa mais confiante nos outros: se nos mantivermos positivos e permitirmos ao mundo que nos rodeia alguma margem de manobra aparecerão as pessoas e recursos para nos ajudar, e podem crer que há gente boa e disponível em todo o lado, mesmo quando parece que nada corre bem!

A chegada foi algo surpreendente para mim: sabia que teria jornalistas, sabia que estaria a minha esposa, mas não tinha a certeza de muito mais! Os “nossos" meninos (em regime de acolhimento familiar), o meu irmão e os meus pais foram uma “quase-surpresa" (já desconfiava), mas além disso estava lá toda a equipa da Mundos de Vida e o infantário todo!!

Aproveitei para cantar alguma músicas com os meninos e depois respondi às preguntas (deles e dos graúdos!) sobre a viagem, as peripécias, como tinha vindo, onde dormi, enfim, um sem-número de coisas que todos quiseram saber.

Depois foram os jornalistas, a quem expliquei os objectivos da viagem do projecto em si: a divulgação da instituição e a demonstração de que simplificar, concentrar-se na solução e manter-se positivo(a) são três estratégias fundamentais para melhorar as nossas vidas.

Por fim, e para completar a primeira fase do projecto, a entrega do cheque de 600€ de donativo, resultante da angariação inicial que tinha levado a cabo para financiar o projecto na sua globalidade.

Fechou-se assim mais uma fase do Pé Descalço: depois da fase de angariação financeira, a viagem, agora já realizada (com nota máxima, pois esperava demorar 2 a 3 semanas e consegui superar as perspectivas mais optimistas!). Agora resta a terceira fase, a escrita do livro (e a descoberta da editora que o vai publicar!).
Aqui fica desde já o meu agradecimento a todos os que, de uma forma ou de outra, me ajudaram a chegar até aqui! Muito e muito obrigado!! 

Skelleftea já cá estou!!

Bom dia!!

Cheguei hoje de manha a Skelleftea, ainda nao consegui um pc que permita fazer upload das fotos mas aqui fica uma amostra (com muito menos neve do que esta agora!!) do local onde estou, a Universidade. A senhora simpatica da recepcäao, cujo nome nao consigo pronunciar, deixou-me usar este pc.

Estou a procura do meu pouso para a noite, e a preparar-me para mais uma trade GELADA (-17graus, acho eu)… Isso e a habituar-me a este teclado (ö ä å µ ¤ e outras coisas) !!

Anseio por umm banho e uma sopa de caldo verde, mas de resto estou muito bem.

A fragilidade do que temos como garantido!

Foi assim o fim da primeira de 3 refeicoes de Nestum… foi a primeira vez na minha vida que senti que podia ficar sem comida, na verdadeira e total acepcao da palavra… foi uma sensacao muito estranha. A ideia original do projecto era atirar-me para fora da zona de conforto… Done!
No extremo oposto, conseguem imaginar a alegria que foi receber uma refeicao das maos da hospedeira da SAS?! Subitamente aquele pacote nao era um reles pequeno-almoco de aviao, era uma sublime oportunidade de comer uma refeicao completa, coisa que poderia nao acontecer tao cedo!
Acreditem em mim: a nossa vida esta cheia de coisas boas as quais nao damos NENHUM valor… Agradecamos as coisas que temos diariamente, so porque as temos… isso e um privilegio enorme, sem que o saibamos somos abastados!
Amanha voltarei a escrever, assim tenha oportunidade. Ha mais descobertas para partilhar!

A Vida e Bela!!

E o titulo de um filme, mas mais do que isso e a mais sublime sensacao que me parece que um ser humano pode almejar!

Estou a viajar ha 8 dias. Comecei no norte da Suecia, sem dinheiro, sem computador e sem telefone, so eu, a mochila, maquina fotografica e tres doses de cereais com leite em po e Nestum. Nestes 8 dias passei por varias provacoes, como alguma fome, muito frio e as interrogacoes diarias do tipo “e agora?!”.
Pois bem, descobri ate agora que, por mais dura que seja a provacao, posso sempre escolher sorrir e procurar a solucao descontraidamente. O que sinto, no fundo, e uma grande paz e a certeza, no fundo, de que a vida e bela!

Olhem para a casinha da foto: mesmo com a neve e frio extremo a sua volta, quem esta la esta quente e confortavel, e porque? Porque ao fazer a casa a preparou para as maiores intemperies! Pois bem, eu sinto-me como os habitantes da casa: pode estar tudo mal, posso estar a morrer de frio ou fome, posso nao saber onde vou dormir ou sequer se terei um sitio limpo e seco para o fazer, mas na minha mente eu estou bem! Foi isso que me trouxe ate aqui, e isso que me permite sentir, sempre, que a vida e bela! Como dizem os americanos, your mindset is everything (o teu estado de espirito e tudo)… Va la, avida e bela!!

Agora vamos la voltar para Portugal (como ainda nao sei, mas sei que vou conseguir!).
Ate a proxima paragerm!!

NOTA: desculpem os erros e acentos, mas estou a usar umteclado belga, sistema AZERTY… e o melhor que consigo!!

O que faz um prato de dobrada!

Paris é uma cidade especial, lindíssima, portentosa, vasta e diversa, mas ainda assim o pináculo da forma como os franceses tendem a ver a vida, a preto e branco. Nao me interpretem mal, tem a ver com “tem bilhete ou nao tem bilhete?”, ou com “tem como pagar ou nao?”: para eles ou é ou ao é, pronto! Por nao ter consciencia disso passei 2 dias e meio às voltas em Paris, encalhado. E foi nestas circunstâncias que tive uma das mais poderosas ecperiências da viagem.

Como devem imaginar, ao terceiro dia encalhado (17 negas em comboios e bilheteiras, trabalho nem vê-lo e um dia a tentar apanhar boleia para fora da cidade sem sucesso, uma noite numa arrecadaçao de um hotel e outra a aproximar-se sem local para dormir) a minha mente começou a exigir que a “alimentasse” de forma clara com auto-conversa positiva para manter o nível de concetraçao em cima durante todo o sábado. Foi neste contexto que dou de caras com um restaurante português, na zona de Gentilly.
“FIXE!!”, pensei! Entrei e pedi trabalho… nao dava, poderia tentar no outro restaurante mais acima… Ok, disse, e já tinha a mochila às costas quando a D.a Fernanda me perguntou “Olha lá, mas tu almoçaste hoje?”, “Eu nao…”, “Entao senta-te aí e come connosco! Haá dobrada!!”, “Mas eu nao tenho como pagar!…”, “Nós oferecemos!! anda daí, senta-te que já te trago o prato!”.
A sensaçao foi de indescritível alegria… Além da delicia que estava a fome que ja remoia ha um dia tratou do resto, e comi ate a ultima gota de molho! Mas nao ficou por aqui!

Subindo a rua, na pastelaria portuguesa, a D.a Eugénia, que nao tinha trabalho para mim, enfiou-me dois pastéis de nata e um pao de chocolate no saco, e no restaurante seguinte, mesmo sem trabalho para me dar, sugeriram que passasse na igreja mais acima na rua, que era da comunidade portuguesa (a fachada é a da foto).

Tudo isto arrumou com a minha compustura, e dei por mim quase a chorar sozinho na rua. O abraço que aquela gente me tinha dado, sem me conhecer, mexeu imenso comigo… foi encantador, sem dúvida, mas ao final de 10 dias a aguentar a pressao foi demolidor. Lembrei-me entao de uma coisa que o meu padrinho (pe Joao Mónica, que já nao está connosco) me tinha dito uma vez: “quando estiveres a rasca e precisares de desabafar arranjar um padre, normalmente tem paciencia e podem ser dar-te um abraco amigo!”… Assim fiz.

No final da missa passei pela sacristia, e foi com muita emoçao que “despejei o saco” com o pe. JOsé anastácio, madeirense, que muita paciencia teve para me ouvir! E, imaginem, no final ainda me ofereceu o jantar la em casa e o chao da sala para eu dormir!! Foi indescritível!!!

Por tudo isto senti que devia agradecer a toda aquela comunidade, e no final da missa (no domingo) lá subi ao “palanque” para contar o que estava a fazer e agradecer a forma como fui acolhido. Pois, imaginem, nao só me brindaram com uma salva de palmas como, de repente e assim do nada, todos queriam saber mais e acabei com dinheiro no bolso para chegar quase a Portugal!!!

No fim do dia, quando apanhei o comboio, o meu coraçao estava radiante: Paris havia sido demolidor, primeiro, para se tornar um evento revelador do que uma comunidade unida pode fazer, consegue fazer… Obrigado, comunidade portuguesa de Gentilly, obrigado pe. Zé!

Um livro a crescer

Hoje cheguei às 90 páginas! Parece pouco, mas do ponto de vista de quem as escreveu garanto-vos: NÃO É!
Mas mais do que isso cheguei ao capítulo do Logan, um amigo que conheci nos USA, em Agosto de 2012, quando ele levantou em apoteose toda a gente da sala com a sua história fantástica!

Estávamos nos últimos dias do “Breakthrough to Success”, um programa de desenvolvimento pessoal intensivo de um senhor muito especial, Jack Canfield, quando o rapaz tímido de cabelo comprido se levanta e diz que gostaria de partilhar connosco a sua história. “Há um ano eu era um sem-abrigo, perdera tudo e vivia basicamente na rua”, começou, e ali percebi que havia algo especial: ele era auto-suficiente agora, apenas um ano depois de ter lido o “Success Principles”, o livro do Jack Canfield que o ajudou a mudar a sua vida!

Entrevistá-lo, ouvir a sua história e escrever um capítulo sobre ele foi uma honra para mim. Como é uma honra saber que a sua história me ajudará, integrada no meu livro, a melhorar a vida de muitas pessoas!
Obrigado Logan, Obrigado Jack Canfield… Um grande obrigado, é só o que me ocorre!

Mais uma participação de peso!

Pois é, o livro mais aventureiro da ano lá vai crescendo, passo a passo. Desta vez, porém, a dose é dupla: por um lado conto com a participação da minha amiga Christina Skytt, que se dedica há décadas ao coaching empresarial (tem no seu portfolio nome de clientes como Carlsberg ou Apple!), com a sua fantástica história da casa amarela (desvendarei o “enigma” no livro!); por outro, a Christina está a lançar um livro sobre como atingir metas “poderosas”, aquelas que mudam a nossa vida por completo, aquilo a que chama powergoals… e imaginem quem participará neste seu livro?… O PÉ DESCALÇO!! A minha aventura será tópico de um livro de desenvolvimento pessoal que será vendido no mundo todo… IUPPIIIII!!!!!!!! A vida é bela!

Recomeçando!

Há momento  na nossa vida em que parecemos uma avestruz!
Foi o que me aconteceu quando há umas semanas me assaltaram o carro, partindo um dos vidros e levando, entre outras coisas, a mala com o meu portátil e o caderno de viagem do Pé Descalço… Perdi metade do que já tinha escrito e as minhas notas e referências da viagem… só!!

Este episódio deixou-me mais abalado do que pensava no que toca à “pedalada” com que estava a escrever: aqui entre nós foi penoso escrever o que quer que seja nas últimas semanas!

Para este problema, como para todos os outros, a solução pode requerer que se peça ajuda, o que fiz quando me dei conta do estado de negação em que estava. Foi assim que convidei a Paula, a minha editora, para almoçar connosco ontem, dando-lhe a oportunidade que ela tanto esperava de me dar um raspanete monumental e assim me por a escrever de novo… o que não aconteceu.

Em vez do raspanete tivemos, porém, uma longa conversa, sobre o livro e não só, que culminou com um acordo de marcação cerrada, para que eu mantenha o foco. Resultado? Hoje terminei outro capítulo, e o meu compromisso para com todo o mundo é terminar até 31 de Dezembro pelo menos todos os capítulos da viagem!

Obrigado Paula, pelo teu apoio e dedicação a este projecto… e por me aturares mesmo quando parecia uma avestruz!!